Não pagamos por ele. Não precisamos roubá-lo. Conseguimos encontrá-lo com alguma facilidade e provavelmente não contribuímos para ele. Está ali, simplesmente livre, à posse de qualquer um, sem qualquer custo monetário. Será que o “custo” real da utilização do software Open Source, é o facto de não podemos criticar o que nos foi dado? Será que é aceitável estar insatisfeito com o software?
Uma parte de ser um programador web é que os “instrumentos” que utilizo são de baixo custo, ou mesmo nenhum. É claro que preciso de um PC, uma ligação à Internet, alojamento web, e um domínio, mas o PHP, MySQL, jQuery, MooTools, Firefox, editor de texto, etc…, estão disponíveis sem qualquer custo. De facto, muitas das melhores ferramentas de programação são gratuitas.
Um software que utilizei para um cliente, foi um carrinho de compras Open Source feito em PHP. Ele é utilizado por muitas lojas online, quer pequenas e médias, e o bom é que é altamente configurável através do seu painel de administração. E para aqueles que não se importam muito com o design, o software é magnífico. Infelizmente, não sou uma dessas pessoas.
A estrutura do código HTML do site é atroz. O site é composto por várias tabelas, tabelas dentro de tabelas, enfim, tabelas e mais tabelas. E porquê? Este tipo de estrutura seria aceitável há 10 anos atrás, não nos dias de hoje.
Isto levanta uma boa questão: será que por ser Open Source significa que não podemos reclamar? Acredito que não. Porquê? Mesmo que não contribua para o projecto, e não pretenda faze-lo, defendo que o software deveria ter sido codificado utilizando DIVs e CSS e não há desculpas para a reestruturação só porque o código não era prioridade.
Código mal feito é código mal feito, ponto.
Não vou criticar com os programadores por detrás do projecto, mas critico para mim mesmo e com alguns colegas. A pior parte é que talvez seja o melhor carrinho de compras disponível de forma gratuita, tornando isto como um “mal menor”. Claro que poderia rever todos os ficheiros e converter o código, mas o cliente não queria pagar por esse trabalho.
Qual é a tua opinião? Será que alguém tem direito a criticar o que nos é dado de forma gratuita?

Nada é gratuito, e o Software Livre (o termo Open Source define muitas coisas que não são livres) não é diferente. O facto de, na generalidade ser obtido, a custo monetário zero, não torna torna todo o Software Livre gratuito.
Criticar é sempre importante, e creio que não há nenhum projecto de Software Livre que não aceite críticas. Devo salvaguardar que críticas são resultado do exercício de actividade crítica, o que implica uma avaliação ou apreciação e não uma simples afirmação de que algo está mal.
Esta crítica que apresentaste fica muito aquém do que seria uma crítica útil. É verdade que o uso de tabelas não é recomendado, mas será pegar nisso é suficiente para ser considerado uma crítica? Que análise fizeste sobre todo o projecto e as razões que levam a que exista o uso de tabelas?
Como participante e até criador de projectos de Software Livre posso dizer que qualquer crítica é bem vinda em todos os projectos onde participo ou participei, mas todas as que sejam demasiado vagas para serem usadas são ignoradas. Convenhamos, fazemos o projecto no nosso tempo livre, damos o máximo para que as coisas funcionem com todos os constrangimentos a que estamos presos e um utilizador que resolve criticar não investe um tempo mínimo a avaliar o alvo da sua crítica! Mesmo que tenha boas intenções acaba por ser colocado no mesmo grupo dos que dizem mal só por dizer.
No fundo acho que o que é proibido é o apontar de erros desleixado, descuidado e sem atenção à realidade do projecto em questão. Não é a crítica mas sim a forma como se critica.
Se um utilizador, com ou sem conhecimentos técnicos, apresenta um problema no projecto, indica as razões pelas quais considera que o problema afecta o projecto, avalia todas as limitações do projecto e oferece motivos para considerar que o problema apresentado tem possibilidade de ser corrigido com os recursos de desenvolvimento existentes, então a crítica é mais que bem vinda, quer seja um programador ou um utilizador, quer participe oferecendo código quer participe fazendo parte da comunidade porque usa o software.
Agora, é normal que qualquer programador de um projecto ofereça a resposta de “Se tens conhecimentos para corrigir fornece um patch, ainda mais quando estás a ganhar dinheiro com o trabalho dos outros.”
Olá Sérgio,
Antes de mais obrigado pela participação.
Só para rectificar e/ou esclarecer um ponto, pois posso ter passado mal a mensagem, não estava a criticar o software, pois como mencionei à frente, é dos melhores (Open Source), o que faz com que o que disse seja um mal menor. Apenas na sequência disso, queria saber, e expressar a minha ideia, se isso nos dá o direito de criticar o trabalho que outros fazem nas horas livres sem qualquer remuneração, para que outros possam usufruir disso de forma gratuita.
Claro cada crítica é uma crítica, principalmente quando se crítica deve-se ter em conta uma atitude construtiva, não “criticar só por criticar”, pois muitos defendem a ideia de que, se estão a dispensar as suas horas livres, e oferecem algo de forma gratuita os utilizadores não devem criticar por isso, sendo que muitas vezes as respostas são “faz tu mesmo”.
No exemplo que dei, apenas questionei aos programadores por detrás do projecto o porquê do uso excessivo (e desnecessário) de tabelas, sendo a resposta que a estruturação do código não era uma prioridade deles. Não foi uma crítica, foi uma questão técnica, e ao obter a resposta adveio então a questão, será que isso me daria o direito de criticar a forma como ele foi desenvolvido?
Obrigado por partilhares o teu ponto de vista.
Talvez até seja possível pôr essa reclamação noutros termos: uma sugestão, um contributo para o software. Mesmo sem teres a intenção primária de ajudares no desenvolvimento do software, já o estás a fazer ao dares a tua opinião.
Se virmos desta maneira, não sei qual é o problema em “reclamar”. Muita gente alega esse argumento do software ser gratuito. Mas a intenção não é essa, ser gratuito? Fornecer um produto gratuito que tenha o objectivo de resolver algumas necessidades? Por ser gratuito, implica que temos desenvolver um produto de qualidade inferior aos produtos que são pagos? Para mim, este último argumento não tem fundamento aceitável.
Exactamente, era aí que queria chegar.
Lá por ser gratuito não temos que nos desleixar no código, afinal foi esse o propósito (ser gratuito) que levou à criação do mesmo.
Mas sim, também depende da forma como abordamos, seria uma critica ou uma sugestão ou mesmo opinião. Foi exactamente a forma que abordei, dando uma sugestão/opinião, no entanto a resposta dada, que o código não era a sua prioridade, me daria o direito a criticar?
Obrigado pela participação.
Antes de mais gostaria de acabar com esse história do gratuito e é errado pensar no software como sendo “um produto gratuito que tenha o objectivo de resolver algumas necessidades”.
Quanto à questão de crítica, acho que se torna evidente o problema, nas três participações após a minha mensagem se falou em criticar como algo negativo. Uma crítica nunca é algo negativo, uma crítica promove sempre a partilha de ideias, obtenção de feedback e possibilita a melhoria de um projecto. Naturalmente nem todas as críticas são atendidas ou nem todas se transformam em alterações directas no projecto. Enquanto virem as críticas como algo negativo, (quer como programadores quer como utilizadores) elas não terão o efeito que deviam ter.
Se um projecto livre me dá o direito a criticar? Claro que sim, vendo de outra forma, se não querem uma exposição pública então não tornem público o projecto. No momento em que um projecto se pretende tornar algo a ser usado para outras pessoas então essas pessoas terão todo o direito de criticar a forma como o mesmo está desenvolvido, tenham ou não razão nas críticas que fazem, isso é algo que se averigua depois da crítica feita. Alguém que critica é alguém que está interessado no projecto, se assim não fosse mudava para o projecto do lado, além disso, os projectos são feitos para os utilizadores não para ficarem fechados nos PCs dos programadores
No entanto, mesmo que não concordes, eu sei que Open Source não é o mesmo que Freeware, no entanto quase que estão “intimamente” ligados.
No que toca a críticas, existem vários tipos, inclusive, as críticas negativas, que podem não o ser por parte de quem as faz mas podem ser vista como tal por parte de quem as recebe.
Quanto ao resto concordo plenamente, no entanto, quantas vezes já não vi respostas por parte de equipas por trás de alguns projectos quando recebem críticas dizer algo como “Ahh e tal, trabalhamos de borla, se queres melhor fá-lo tu”, fazendo passar a imagem de que são uns “benfeitores” e que quem crítica é um ingrato.
De facto, usai mal o termo “gratuito” para cobrir todo o software de código livre, mas de qualquer dos modos, a minha intenção era falar precisamente sobre a situação dos criadores defenderem as falhas do seu software por este não ter custo associado para o utilizador final, por não lhes ser pedido nada em troca. Repetindo, isso para mim não tem fundamento, nestas situações.
Cumps.
A questão toda é perceber o contexto maior.
Pessoas abnegadas, com boas intenções, se reunem para fazer algo que resolvem antes ou depois disponibilizá-lo free. Muitos méritos.
Usam, muitas vezes, ferramentas adequadas e tecnologia de ponta da época. Ou nem tanto, cada um terá motivos para escolher as ferramentas que vão usar, por critérios pessoais.
Geralmente o grupo que trabalha com Open Software se abre à discussão das melhorias e sugestões, bem como a participação de mais desenvolvedores. Mudam os nomes dos desenvolvedores na linha do tempo, o programa pode ficar em terceiro plano na vida dos desenvolvedores, enfim, sofware é como ser vivo, ele pode durar muito, pode durar pouco, pode ficar desatualizado, pode sofrer pouca manutenção, pode não despertar a atenção de nenhum cuidador, pode ter um concorrente mais procurado e assim justificar um menor cuidado, ficar á merce dos ventos como qualquer ser vivo.
Logo, a questão não é reclamar ou não reclamar. A questão só é de reclamar quando te vendem algo que você foi enganado ou não funciona. É o caso?
A questão Open funciona de forma diferente.
A coisa funciona por sugestões, e não reclamações. Não é um erro crasso e não deixa de funcionar, no caso..
Deve-se entrar em contato com os desenvolvedores e sugerir melhorias em tais e tais pontos.
Se o programa não está muito bem vivo, se há problemas estruturais, se a coisa não tá boa, que se procure outro, assim como no caso do pago. Se o produto ou o software ou um livo não atende bem, voce tem toda a iberdade (free) de dizer não, os desenvolvedores free não estão aí para atender as necessidades de CADA e TODO usuário do softwares feitos por deles.
Os desenvolvedores principais tambem não tem obrigacao nenhuma de tocar o barco para sempre, e se tocam o barco, não tem obrigacao nenhuma de fazer todas as sugestões requeridas..
DIVs e CSSs são inquestionáveis hoje em dia, mas se tabelas ainda funcionam e não é crasso um reprojeto por questões de tempo ou prioridade dos desenvolvedores, isso é os desenvolvedores que decidirão, então por isso que falei que é necessário ver o contexto, você está superdimensionando algo que não é tão importante assim, nesse caso.
Se você ou outro entenderem que é importante a mudança, também tem toda a liberdade de escolherem contribuir, mão na massa!!
Olá António, antes de mais obrigado pelo teu contributo.
Só para que este ponto fique esclarecido porque em toda a tua resposta falaste em reclamar, não sei se percebeste bem o conceito do artigo, mas a questão aqui não é reclamar, é sim criticar.
Pelo que percebi da tua forma de escrever és do Brasil, não sei se por aí o significado é o mesmo, mas Reclamar é diferente de Criticar.
Concordo plenamente e reconheço todo o mérito e congratulo todos aqueles que disponibilizam o seu tempo para criar algo de código livre.
Desculpa mas isso, na minha opinião, é totalmente nonsense.
Eu posso muito bem reclamar (sim reclamar não criticar) de um serviço mesmo ele sendo gratuito, exemplo disso é as Operadoras. Se vais a uma loja de uma operadora, mesmo não sendo cliente, se for mal atendido tenho o direito a reclamar. Paguei por isso? Fui enganado ou não funciona algo que me foi vendido? Não, no entanto tenho esse direito se assim o quiser exercer se achar que fui mal atendido (ou faltaram-me ao respeito, etc…).
No meu ponto de vista, crítica é melhor que uma sugestão.
Concordo plenamente, não são obrigado nem têm o dever de atender a todas as solicitações feitas, no entanto como disse, código mal feito, é código mal feito. Ponto.
A estrutura do código HTML do site é atroz. O site é composto por várias tabelas, tabelas dentro de tabelas, enfim, tabelas e mais tabelas. E porquê? Este tipo de estrutura seria aceitável há 10 anos atrás, não nos dias de hoje.
Para terminar, é comum, as respostas de alguns criadores de software open source usarem como argumento o facto do software ser gratuito. Mas quando eles começaram a desenvolver a intenção não era essa mesma, de ser gratuito? Fornecer um produto gratuito que tenha o objectivo de resolver algumas necessidades?
Lá por ser gratuito, não implica que tenhamos de desenvolver um produto de qualidade inferior aos produtos que são pagos, para mim, este último argumento não tem fundamento aceitável.
Olá Carlos
Sim, sou do Brasil. Agora entendi melhor o que quiseste dizer por “reclamar”. Aqui “criticar” tem uma conotação que também é “avaliar”. Uma crítica pode ser uma reclamação ou uma crítica pode ser algo como.. “voces fizeram isso certo e fizeram isso errado”. Uma crítica nem sempre tem conotação só “negativa”.
Fiquemos então no caso da “reclamação”.
Concordo que criticar (reclamar) é importante, com certeza, o pessoal do mundo Open também precisa dessas referências, mas antes de reclamar há um caminho.
Se você reparar nos fóruns de desenvolvedores de Open Source, há uma “caixinha de sugestões” para “improve” (melhorias), e uma grande “caixinha” para se descrever erros e solicitar correções (fix).
Eu sou um usuário frequente de Open e já me incomodei um bocado com problemas que para mim eram sérios, Alguns desenvolvedores alavancavam o conserto para níveis prioritários, outros não faziam isso. Um problema crasso no OpenOfice, há anos, logo que surgiu depois do StarOffice, atrapalhou muito a vida da empresa onde trabalhava por meses, mas eu sabia que seria consertado na próxima versão, só que ela nunca saía. Deveria reclamar das pessoas, que eram poucas e abnegadas, com tanto trabalho a fazer e que deveriam alavancar a correção de outros problemas mais sérios? Claro que me cabe reclamar, mas também deve existir um bom senso. Depois de consertado, foi uma maravilha, nunca precisamos pagar uma versão do Word, mas por meses foi sofrido.
No seu caso, se você percebeu que as tabelas e os códigos estão mal feitos, mas não são erros e não ocasionam erros, o caminho natural é sugerir melhorias, descrevendo a sugestão num formulário específico, complementando ou não com uma crítica aberta. Penso que não cabe fazer crítica num primeiro momento. Com quase 100% de chance são todas pessoas de boa paz e querem fazer o melhor, sempre, mesmo que não tenham capacitação técnica para usar a última tecnologia ou padrão.
Só que é aquela estória, quem vai ler a sua sugestão pode achar que o tempo de trabalho não compensa, pode não ter mais nenhum designer fazendo parte do projeto, pode ter designer que só entenda de html. Mesmo sendo pessoas de boa vontade que se dispõem a tornar a coisa melhor, nem sempre é possivel. E como disse antes, nenhum desenvolvedor é obrigado a seguir sugestões de todos, mesmo que aparentemente algumas melhorias alavanquem o produto no mercado.
Enfim, é complicado, cada caso é um caso.
A desculpa de que o soft é de graça, que desenvolvedores ou “consumidores” de soft open dão para que as coisas sejam, às vezes, bangunçadas ou vistas como irresponsáveis, realmente não serve, mas acho que essa visão só cabe para desenvolvedores amadores ou descompromissados, e esses são cada vez menores no mundo cada vez mais profissional do Open Source.
Para concluir, quero dizer que entendo a dinâmica de como as coisas funcionam no mundo Open, e precisamos dar um desconto, como se diz aqui, ou seja, entender melhor que nem todo problema visto por um usuário é realmente problema, e que os desenvolvedores têm total liberdade de aceitarem as críticas ou não, ou de as priorizarem, assim como é no mundo pago. O fato de criticar algo no Windows não significa que vou ter, na próxima versão, melhoria daquilo que quero melhor, aliás, a chance é quase zero de isso acontecer, mas é muito mais fácil um projeto Open nos ouvir do que um soft comercial.
Agradeço seu retorno e as boas trocas de ideias, boa sorte!
Precisamente, por isso é que quis que ficasse esclarecido que a questão é sobre criticar e não reclamar.
Sim, eu sei disso, só que não se aplica ao caso, senão vejamos:
1) Eu não estava a dar nenhuma sugestão, estava apenas a criticar a forma errada que eles usaram, no caso, as tabelas. Tabelas servem para tabelar dados, ponto final.
2) Também não acho que se adeqúe na “caixinha” fix, isto porque, para mim, e leia-se que é uma opinião pessoal, essa secção deve ser para explicar e priorizar bugs/erros que afectam o uso do sistema, tal como disseste, mesmo usando tabelas, o sistema funciona na perfeição, e é um dos melhores do género. Agora funcionar funciona, está bem feito? Não, não está.
São situações completamente distintas, pois:
1) Eu não critiquei o facto de eles demorarem X tempo a corrigir, critiquei sim, eles não aceitarem como crítica que o que está feito, está mal feito, e a desculpa que dão é que é gratuito se quiser bem feito que o faça. Esta justificação já expliquei e fundamentei na minha resposta anterior;
2) O erro em causa não era um erro funcional, que no teu caso era, e tu sabias que estava a ser corrigido, demorou tempo? Pronto, há que esperar, as pessoas estão a despender o seu tempo para nos oferecer uma boa aplicação para nosso uso, mas isso dás-lhes o direito de fazerem mal feito? Na minha óptica não, afinal era esse o intuito deles inicialmente, não era? Oferecer uma aplicação Open Source e de forma gratuita, certo?
Apesar de não a considerar como uma sugestão, foi o que fiz, expliquei o que estava mal, como deveria estar e tudo mais. A resposta foi curta e directa, simplesmente disseram algo como Não, o software funciona e o código não é a nossa prioridade. No entanto volto a reiterar, código mal feito é código mal feito, e contra isso não há desculpas.
Não disse o contrário, e concordo, porque se fossem seguir todas as sugestões não fariam mais nada na vida, mas foi por isso que venho a dizer que o que disse não era uma sugestão, era uma crítica à forma completamente errada que estava feito o produto.
PS: Fica aqui a boa notícia, que ao que parece, entrou uma pessoa para a equipa e vão começar a reestruturar o código
Carlos, legal… então as coisas podem andar para melhor no seu caso,
Exatamente por esses dias tenho uma outra situação envolvendo código livre. Estou a pesquisar soluções Open para um serviço muito eventual e simples, não me vale a pena desenvolver do zero, por vários motivos.. Nessa pesquisa, se uma solução Open não estiver muito perto do que eu preciso, nem valeria a pena implementá-la no cliente, deixei isso bem claro para ele, mas ele disse “tudo bem e vamos em frente, quero você mesmo pensando essa solução, se não der, não deu”.
Meu caro, então vou à “farra”… Comparo aqui e comparo ali, vejo os prós e contras, vejo do tamanho das pessoas envolvidas, vejo notícias que um dos softs praticamente está parado no tempo, participo de um fórum, vejo o material de pessoas abnegadas que trabalharam de graça para fazer módulos específicos, que corrigiram bugs, mas então entram as variaveis de sempre. Saiu uma nova versão e nem certeza ainda se tem que alguns módulos importantes para ela vão ser atualizados, pois mudou a arquitetura interna do programa. Nas versões disponiveis, um ou outro probleminha ainda existe, um ou outro mantenedor faz meses que não aparece para ler as mensagens dos problemas. E nem todos os recursos, detalhes minusculos de uma operação comercial, se tem disponivel no soft. É pegar, ou largar, ou contribuir. Enfim, é aquilo que falei.
Casualmente, pensando algumas horas sobre a ajuda abnegada de alguns mantenedores especificos, pensei se que eu ganhasse uma grana com um dos soft livres eu faria questão de colaborar com os mantenedores, doando uma parte dos ganhos para ele. E agora junto essa ideia com o que falamos. Uma forma de tornar as coisas mais profissionais e dar garantias de que as coisas funcionem, e funcionem bem, tanto no desenvolvimento como no suporte, é criar meios de se profissionalizar os projetos, dando retorno financeiro para os abnegados ou para quem quiser ser “funcionario” mesmo do projeto.
Tem muita gente ganhando dinheiro em cima de projetos Open e retornando nada para os desenvolvedores. Alguns até colocam a possibilidade de receber doações, mas nem sempre isso é pedido, Penso que cabe aos que usam, e muitos que usam nem desenvolvedores e da área são, recebem as coisas todas “mastigadinhas”, inclusive suporte de graça nos foruns, ter consciência disso.
O retorno financeiro não é pedido nem exigido, claro, mas aí é uma questão de consciência. Penso que as coisas podem andar melhor se houvesse uma forma de os mantenedores e desenvolvedores ganharem uns trocos. Um pouquinho de cada pessoa que tem beneficio financeiro, sendo que são milhares, ajudaria muito a manter o soft, ter pessoal mais qualificado, enfim, fazer realmente do soft Open algo supimpa. .
Abraço!
Felizmente no teu caso, essa era uma opção, no meu caso, o cliente além de budget reduzido, o que obrigava mesmo o uso de Open Source caso contrário era-me inviável (monetariamente falando), era para uma loja online, então um carrinho de compras era quase como um requisito Must have.
Certo, mas assim quem estaria a perder serias tu. Pois, não sei como fazes os orçamentos para os clientes, mas eu cobro por hora de trabalho. Ora o budget já era reduzido, sendo que me vi obrigado a baixar o meu preço/hora, e apenas calculei o tempo que demoraria a integrar o software com o resto do site, ora doando uma parte seria como eu “perder dinheiro”. Se for num projecto grande, onde há budget acho bem a contribuição, o que não era o caso.
Mas não são obrigados a retornar nada para os desenvolvedores do Software, correcto? Volto a reiterar que, o objectivo principal foi disponibilizar o software Open Source e de forma gratuita, esperar retorno com ele, é ser interesseiro. É como no Natal, tu deves dar uma prenda porque queres realmente dar uma prenda sem esperar nada em troca, a outra pessoa retribui se assim o desejar, no entanto se ela não te der uma prenda não é por esse facto que amuas e desiste dela, certo?
O retorno financeiro não é pedido nem exigido, claro, mas aí é uma questão de consciência.
Porquê?