
Como programador web, de vez em quando é preciso largar um pouco o editor de texto e ver a situação da web e como continuamos a tentar ultrapassar os limites da Internet. Ao longo dos últimos anos temos visto um enorme impulso com a evolução do AJAX, Frameworks JavaScript, e a tecnologia AIR da Adobe. Também vimos a propagação do Firefox forçar a Microsoft a ressuscitar o Internet Explorer (para melhor ou para pior), blogar teve um crescimento enorme, e as redes sociais como Facebook revolucionaram a maneira como nos comunicamos online. No entanto, a Internet está a mover-se muito devagar na sua actualização. A seguir deixo as principais barreiras que estagnam o avanço de uma tecnologia que poderia ser muito mais do que é na actualidade.
1. Escassa Actualização do XHTML e CSS & Suporte
Demorou muito tempo para o W3C actualizar o HTML e impulsionar novos avanços do CSS. Enquanto que o JavaScript, AJAX e Flash têm evoluído rapidamente, os dois pilares da programação web estão quase estagnadas. O CSS não mudou a um ritmo aceitável. O CSS 3.0 já está a funcionar mas em pleno não há muito tempo, sendo que começaram a trabalhar no mesmo desde 2005.
O Internet Explorer tem sido moroso na execução de avanços no que toca a CSS, principalmente devido à Microsoft ter abandonado o IE por mais de uma década. O IE6 continua a ser o browser padrão de uma grande parte das pessoas, porém o mesmo não dá suporte a todas as normas do CSS 2, como por exemplo, pseudo-classes e pseudo-elementos ambos não estão implementados ou então estão mal implementados.
Precisamos de um avanço mais rápido e específico, browsers que suportem CSS avançado e XHTML. É difícil avançar com a Internet sem uma visão de futuro que não esteja voltado para estas duas linguagens que são a base para qualquer site.
2. Inconsistências dos Browsers & Internet Explorer
Uma vantagem das linguagens informatizadas é a presença de padrões. As normas proporcionam consistência de implementação que um programador precisa para escrever código seguro e eficaz. Apesar de algumas empresas verem as normas como opções.
O Internet Explorer tem estado sempre na linha da frente no que toca a ignorar as normas e padrões web. Internet Explorer 5.5 era dos piores, onde deu origem a inúmeros hacks, incluindo o tão famoso Tan Hack. Contudo o Internet Explorer melhorou ligeiramente no seu antecessor, mas ainda apresentou uma série de problemas, incluindo falhas de segurança, fraca programação conduzindo a um desempenho lento, e principalmente a falta de suporte apropriado ao CSS. O pior de tudo é que ele teve o monopólio por seis anos. O Internet Explorer 7 e 8 corrigiu a maioria dos problemas, mas continua a ser o quebra-cabeças dos programadores.
A Mozilla Firefox também tem os seus problemas, apesar de ser em menor escala, no que toca a seguir os padrões, assim como um atraso (embora recentemente actualizado) o Safari. O Opera é, sem dúvida, o browser que melhor segue os padrões e normas web, mas a sua quota de mercado ainda é irrelevante.
3. Falta de Interesse Geral
Se eu tivesse um euro por cada vez que ouvi alguém dizer “estou velho demais para aprender a mexer na Internet”, seria milionário. Pior ainda é um site popular recusar-se a melhorar uma GUI ou a usabilidade. O eBay é o típico site que se recusa a avançar ou a evoluir para atender a população em geral. O painel de controlo do eBay é lento, cansativo e desactualizado. Uma empresa como o eBay tem o poder de levar os seus utilizadores a um padrão mais elevado na Internet.
Não posso culpar ninguém por ficar longe da Internet. Tácticas de intimidação, incluindo roubo de identidade, publicidade sobre anti-vírus, pornografia está em todo o lado, mensagens e notícias locais são suficientes para assustar um público mais velho ou ignorante. Conheço igualmente histórias de vício em Internet, muitas delas não são exageradas e os jogos de apostas online podem custar tudo a uma família.
Como programador web, sonho ser capaz de construir sites e não me preocupar com os conhecimentos técnicos dos outros, mas sim, o público alvo a que se destina. Não me interpretem mal – posso usar AJAX e JavaScript aqui no meu site, porque conheço o meu público alvo, mas e sites de fotografias da cadela da mamã?
4. Possibilidade Para Desligar o JavaScript
O Javascript foi introduzido na Internet muito cedo. A opção de “Adicionar aos Favoritos” foi um sucesso. E não se podem esquecer dos alertas (alert()) para validar formulários. Mas não menos importante de mencionar os anúncios pop-up, que seria de nós sem eles? Hoje em dia temos boas e várias razões para utilizar o JavaScript.
AJAX só continuará a avançar em novos projectos com a ajuda do jQuery, Mootools, e especialmente o trabalho do Dojo. Para todos os avanços que possamos fazer usando JavaScript, todos eles podem ser desactivados pelo utilizador ao desactivar o JavaScript. A tua aplicação está aberta a riscos de segurança e não funciona na perfeição sem o JavaScript. Alguns programadores web vão dizer que programes como se o JavaScript estivesse desligado, mas isso não é avançar na web, simplesmente regride os programadores, obrigando-os a investir em Flash e Java (ah espera, este também pode ser desactivado… isto é, se o mesmo estiver instalado!). A Internet deve promover a interactividade.
5. Sites em Flash & Publicidade
Isso vai ferir algumas susceptibilidades, mas o Flash é mais um entrave para o desenvolvimento da web do que qualquer coisa. Quase duas décadas de Internet, e a única maneira de proporcionar uma animação de qualidade é o Flash. Alguns sites são feitos inteiramente com Flash. Vamos ver, “gostarias de ter um site que leva 10 segundos para carregar, mostra-te 15 animações que não têm nenhum valor acrescido para o teu site/negócio ou o seu conteúdo, não tem valor para os motores de busca, vai levar horas para fazer actualizações simples, acessibilidade zero e Search Engine Friendly está quieto?” Então sim, a resposta é sem dúvida o Flash.
O Flash pode, definitivamente, ser usado em sites de automóveis, sites de calçados, especialmente de vídeos (ver o Youtube), mas sites inteiramente em Flash e a publicidade deveria desaparecer. Flash serviu como um avanço nos primórdios da Internet, mas o AJAX e o JavaScript devem em breve (pelo menos espero) preencher esse espaço.
6. Falta de Acesso Livre à Internet / Acesso de Alta Velocidade
Já ouvi denominarem a Internet como “Informação rápida” e uma “biblioteca andante”, mas o uso de uma biblioteca não é gratuito? Os serviços da Internet, de alguma forma, deveriam ser gratuitos nos países avançados. Os únicos que iriam contestar esta hipótese seriam as ISPs que aproveitam para sugar-te qualquer euro que possam, em vez de preocuparem em fornecer um serviço de qualidade. Prestar um serviço em alta velocidade é muito importante. Quando visitamos um site e este demora um pouco mais a carregar a tendência é pensar que foi mal programado (e até pode ser), mas o verdadeiro problema é o fraco serviço da ISP. Na última vez que vi, a conexão de Internet no Japão era de 1GB. Considerando que em Portugal o máximo que vi foi de 200MB, se bem que duvido que se usufrua dessa velocidade, já com a de 100MB é o que é. Mas a média deve andar por volta dos 30MB.
7. Pouco Suporte para Telemóveis / PDA’s
Estou bem ciente do @media da W3C, mas nunca estive perto de usar esse tipo de CSS. Os dispositivos móveis não são tidos em conta na maioria dos sites, pois não perdem tempo para a optimiza-los. O iPhone proporcionou um ligeiro impulso necessário para que se invista nesse suporte.
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